sábado, 26 de setembro de 2009

A música


O ar preto e pesado da noite era permeado por vibrações suaves e sonoras que refletindo as cores da lua adejavam ao entorno do homem.
O homem distraído do resto doava às cordas duras os dedos, os dedos sem rancor de calos entregavam-se as asperezas do fazer , pois sabiam, mais do que o homem, que para refletir as pratas da lua e tornar o escuro mais claro era preciso, em profunda entrega, machucar-se no construir.
O homem segurava o instrumento ao mesmo tempo que o instrumento segurava o homem. O movimento das cordas transpassava as pernas do homem e a caminhada das pernas tocavam as cordas do instrumento. Por isso quando o homem caminhava fazia música, e por causa da música, caminhava.
Certa vez a melodia soou triste no encontro dos dedos com as cordas . pensou estar perdendo em algum pedaço da música algum pedaço do homem, o som era amor e doía. Com medo as pernas paravam parando as cordas e escurecendo a noite . o escuro era imenso e sem nada apenas repleto do silêncio do homem.

Um comentário:

loren disse...

Adorei o texto.
Vc escreve muito bem, Mira,
Agora entendo pq vc tinha feito letras!

Bjs, loren